
Gorayeb Advocacia
Branding vem do ato de marcar o gado a ferro. A Gorayeb já marcava. Faltava a marca da empresa ser a mesma do couro.
O desafio
A Gorayeb se apresentava como mais um escritório de advocacia, e ela não é mais um escritório. É um escritório do agro, liderado por um homem do agro, dentro do agro: funciona numa chácara que foi do bisavô do Fernando Gorayeb, com represa, churrasqueira e gado em volta, e há anos ele presenteia cliente com tábua de carne e faca gravadas. Nada desse universo chegava à marca. O símbolo antigo era um monograma FTG que ninguém conseguia ler (o T sumia e sobrava um FG), sem sistema visual por trás, e o cartão misturava a advocacia e a imobiliária do grupo sem dizer qual era a principal. O conteúdo de agência tratava o escritório como qualquer outro, e não andava, enquanto um vídeo informal do Fernando comparando minhoca com arroba de boi rendia mais do que qualquer arte sobre usucapião. O pedido dele foi preciso: “Eu quero que ele visualize segurança, e um escritório que atende o campo de forma simples e sofisticada.”
Solução e processo
A pesquisa mostrou o quadrado vazio do tabuleiro: quem domina o nicho fala do agro de dentro de um escritório urbano, de gravata e parede branca. A Gorayeb vive no agro, e essa diferença virou o posicionamento inteiro: o escritório que vive no agro, e por isso defende o agro como ninguém, sofisticado no que entrega e acessível no jeito de falar. A arquitetura pôs ordem na casa: o Grupo FTG como holding institucional, a Gorayeb na frente falando com o produtor, a imobiliária como marca irmã. E o conceito estava escondido numa frase do Fernando na terceira reunião. FTG, de Fidelidade, Transparência e Genialidade, os valores do regimento interno, é também a marca que ele queima no couro do gado. Quando ouviu que esse ato de marcar boi se chama brand, de onde vem a palavra branding, a marca da Gorayeb deixou de precisar ser inventada: marcar é deixar nome. O símbolo é a própria marca de ferro, refinada pra poder ser, literalmente, queimada no boi.
Resultado e impacto
Hoje a marca que aparece no cartão, no envelope, na pasta, no pin da lapela e no boné é a mesma que o Fernando queima no couro do boi e grava na tábua que vira presente. O cliente que recebe o kit reconhece o escritório pelo sinal, do jeito que o fazendeiro reconhece o gado solto no pasto. A comunicação ganhou um fio que decide sozinho o que cabe e o que não cabe, um manifesto na voz do próprio Fernando e uma assinatura que resume tudo: do agro, pelo agro. Nada disso foi inventado em sala de reunião. Tava lá o tempo todo, na chácara, no curral e na palavra dada. O trabalho foi juntar os pontos e deixar nome.
As peças que montam a marca
Nenhuma escolha visual da Gorayeb é gosto. O símbolo obedece a uma regra física, a do ferro que queima o couro, e a tipografia e a paleta puxam da mesma referência: o campo, o couro, a madeira e o mato.
O símbolo
A marca da empresa é a marca do gado, refinada. Partimos do FTG que o Fernando já queima no couro do boi, estudamos proporção, equilíbrio e ritmo das três letras e corrigimos o que ele mesmo apontava no monograma antigo: agora o T aparece sem dominar. F, T e G seguem sendo Fidelidade, Transparência e Genialidade, os valores do regimento.
A regra do ferro
- 01Sem quina. Quina queima o couro. Onde tem quina, o couro dobra e a marca distorce.
- 02Sem forma fechada. Se a forma fecha, o couro de dentro morre junto. A marca precisa de respiro.
- 03Ligadura mínima. Onde uma letra encosta na outra com força, o ferro queima fundo demais.
- 04Leitura à distância. O boi tá no pasto, o fazendeiro tá no cavalo. A marca é lida sem chegar perto.
O Fernando pediu uma marca que funcionasse em qualquer cor, como a Nike. O símbolo foi testado em positivo, negativo e monocromático, do favicon de 16 px à fachada de 3 metros, e simulado queimado no couro.
A tipografia
Marcar é deixar nome.
ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ
abcdefghijklmnopqrstuvwxyz 1234567890
Serifa reta, grossa e geométrica. Não é a serifa fina do escritório tradicional: é peso de coisa construída, a mesma lógica do símbolo.
Do agro, pelo agro.
ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ
abcdefghijklmnopqrstuvwxyz 1234567890
A mais neutra e legível que existe. É o técnico sem ser distante: a fonte de quem explica holding rural na mesa da cozinha.
A paleta
Seis cores. Duas mandam, quatro acompanham.
O verde do mato fechado e do couro curtido. Veste o símbolo, o título e o documento sério.
A palha seca e o papel envelhecido. O claro institucional, que segura a marca sem competir com ela.
Terra revolvida e ferro enferrujado. Calor e profundidade.
Madeira tratada e cabo de faca. Aplicações físicas e texturas.
Capim seco e metal escovado. O destaque sóbrio.
A safra nova. Entra só como sinal, nunca como base.
Cartão, timbrado, contrato e fachada: Verde Escuro e Bege Areia, sempre. Nas redes e nas apresentações, os marrons e o ocre entram como tempero.
Do agro, pelo agro.
E para a sua família.
Por Fortunato Estúdio · 2026



